A TORRE

Era uma vez uma princesa.

Ao nascer uma fada disse a seus pais que sua beleza e seus poderes mágicos precisavam ser protegidos, preservados. Que ela havia nascido para amar, por amor ao mundo, a terra, e para recordar quem ela era para com isso servir ao próximo. Uma nobre e difícil missão.

Foi então que atravessaram oceanos e a deixaram crescer em uma ilha, em uma torre.
Lá ela tinha tudo o que precisava para se desenvolver, desenvolver seus dons, crescer com saúde e cada vez mais bela. Mas não deixava de ser uma torre. Um isolamento e uma grande distância da sua origem, de onde a sua alma se sentiria em casa.

Então por muitos anos ela teve a sensação de que faltava alguma coisa em sua vida. E por muitos anos ela pensou que talvez fosse um príncipe, um grande amor quem sabe.

Ela tinha um poder que atraía muitos forasteiros, muitos mal intencionados, invejosos, mas ao longo do tempo ela foi aprendendo a usar seus poderes, a entrar em conexão com sua missão e a se defender sozinha.
Por um tempo na sua clausura externa e interna ela percebeu esse isolamento como uma dor. Apenas por um tempo.

Passadas muitas primaveras, muitos falsos príncipes, muitos erros e acertos, e a sua natureza lhe mostrou que fora necessário esse caminho para enfim ela estar pronta. Pronta para retornar.

A natureza de fato era a sua força. Mas o contrário do que muitos limitados de visão pensavam, ela não precisava estar o tempo todo no “mato” para conseguir sentir essa força. Porque agora ela carregava essa conexão e essa força dentro dela. Ela tinha o conhecimento, ela havia se lembrado.
Agora estava pronta para servir ao seu propósito. A sensação era de completude intensa, de felicidade plena. O melhor, era interno.

O que os anos de clausura lhe mostraram foi que essa sensação interna ninguém que está do lado de fora conseguirá entender. O prazer da solidão não se tenta fazer outros entenderem, pois atrasa o caminhar. Compartilhar ou querer dividir com alguém, seria desviar do caminho. O tempo é sim o senhor do destino, ele sempre dá um jeito de colocar tudo no seu lugar, de mostrar as caras e as cartas, de apresentar o mundo como ele é e como podemos ser felizes mesmo assim e viver em plenitude, em paz.

E se perguntam a ela: “Como está?” “Cada dia melhor, muito obrigada!” – É a única frase que o outro será capaz de compreender.
E ela retornou. E ela cumpriu sua missão.

Todas as histórias do nosso “Era uma vez” são verídicas de mulheres que foram atendidas por nossa equipe e preservadas as suas identidades.

Pri Guida