A Princesa que trocou o foie gras pelo X com ovo.

Era uma vez uma princesa, que acreditava na vida, na alegria, na beleza da vida e no amor.

Mas ela era jovem e ingênua.

Um dia, apareceu um príncipe! Sedutor, gentil, em um cavalo fino, que morava em um castelo rodeado de ouro e conforto.

Ele encantou-se pela princesa, bela e jovem, alegre e cheia de vida.

Ele a cobriu de elogios, promessas e riqueza.

Passado algum tempo, a princesa precisou muito mais daquilo que a rodeava, precisou de atenção, de empatia e de compreensão.

O príncipe não soube lhe dar. Ao contrário, lhe negou o que ela mais almejava, que ele a enxergasse, a compreendesse.

A princesa, então, acostumada àquela vida, achou que de lá não conseguiria sair, achou que lá era seu destino, presa a um castelo de ouro.

Achou que poderia ser feliz, ledo engano.

A princesa que, um dia foi alegre e cheia de vida, definhou. Definhou por falta de amor, falta de empatia e compreensão.

O príncipe, então, passou a não mais admirar aquela princesa, pois ela havia perdido sua essência, que por ele havia sido roubada.

E, cada vez mais, a princesa se fechou em seu mundo, em sua mente triste e desesperançosa.

A princesa pensou que estaria presa para sempre naquele castelo enorme, cheio de conforto, porém vazio de amor.

Ela pensou que ia morrer. Morrer de solidão. Morrer de tristeza.

Foi então que ela decidiu viver. Viver, ainda que fora do castelo, ainda que sem o ouro.

Decidiu que poderia trocar o castelo pela alegria.

E assim ela o fez.

Abriu mão do conforto, em busca da felicidade!

O castelo foi ruindo, as paredes descascando, o jardim crescendo e as maçanetas emperrando.

Mas a princesa foi renascendo, crescendo, saiu do casulo e se transformou em borboleta, voou!

Voou na alegria de viver, na simplicidade, no amor próprio, na paz e na harmonia.

E, quando ela estava recuperada apareceu um príncipe. Lindo, entretanto não morava em um castelo luxuoso, não a cobriu de mimos nem de ouro. Mas ele a olhou.

Ele a enxergou.

Ela, enfim, entendeu que o primeiro príncipe era cego, cego de amor.

Que o novo príncipe não era sedutor, não tinha muito ouro, mas não era cego, ele enxergava. Enxergava a linguagem do amor.

A princesa, então, percebeu que não precisava de foie gras para ser feliz, que poderia ser muito mais feliz comendo xis com ovo acompanhada de alguém que realmente a enxergasse, com a visão mais nobre que se pode ter, a do amor!

 

Daniela Tedesco Barcelos